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quinta-feira, 24 de março de 2011

Este Deus que me atordoa

Nasci em solo e família católica. Este ano, quando setembro vier, seis décadas terão se passado. Meu pai se foi e a ele se juntaram tres dos meus oito irmãos. A mãe, surda, se faz ouvir e, quando não quer saber, desliga o aparelhinho. Arbitrário, prático e confortável. Faz comida e doces desejados e tem uma capacidade inexplicável de coar cafés horrorosos. Não adianta reclamar. "Eu gosto", decreta com um meio sorriso iluminado pela mais pura perversidade.
Esta luminosa perversão eu, amiúde percebo em Deus. Tenho com ele saudável convívio. Amo-o em seus momentos de generosidade como neste: manhã de sol, nuvens leves, brisa fresca e a vida soprando em torno de mim. Conversei ao telefone com Jair, o mano, Rejane Gambin, a jornalista.
Agradável como o óleo perfumado na gola de minhas vestes. Mas desconfio do tamanho e continuidade dessa bondade. Vai que em segundos dá-lhe à veneta perspegar-me uma falseta?
Fique sempre com um pé atrás ensinou-me minha avó. Com Deus também? "Principalmente com ele. Quanto mais o amamos, mais nos atazana. Veja o caso de Jó. O mais fiel entre os homens de seu tempo. Deus, infantil e presunçoso, aceitou a provocação do Diabo e só para provar que o amor de Jó era absoluto, impôs-lhe toda a sorte de infortúnios. Jó perserverouu sem se dar conta - penso que mesmo sabendo continuaria - que era joguete numa disputa cretina entre o Bem e o Mal".
Aqui com meus botões penso que o Senhor é como um desses engenheiros meus amigos. Constróem prédios magníficos, com materiais de primeira, ornados com a mais linda decoração. Mas descuram de escorar o barranco que à primeira enxurrada trinca de morte os alicerces. "Carma", aceitam os japoneses. "Paciência", prostro-me. "Imprevidência", denúnciam os desafetos do construtor.
Então porque temos de amar Deus? - perguntei à minha avó. "Pela mesma razão que amas teu pai. Ele pode muito. Basta que queira. Temos que dizer a ele o que precisamos. As vezes ele acha que tu mereces. Por ser mais velho enxerga mais longe. Coisas que pensas ruim, mais adiante verás que só te fizeram bem.Imagina que Deus beba vinho como teu pai. Nesta hora é perigoso pedir-lhe alguma coisa. Tanto podes ganhar mais do que precisas, quanto receber uma botinada.Mas não esqueça, Ele pode muito. E por vezes de tão bom, não presta" Sinto que como minha mãe Deus prepara e serve-me banquetes deiciosos. Intragável porém são seus cafés. Conclusão: Tanto Deus quanto dona Maria não são baristas

2 comentários:

Tania Marcelino disse...

Ele pode muito, ele pode tudo João. Nossa vida é um cubo mágico na mão de um Deus dautônico...

Tempus Edax Rerum disse...

Mano João, tipo o que comia gafanhotos no deserto e clamava... A pratica diária tem melhorado suas crônicas. O Gabriel García Márquez, que também foi jornalista por um tempo, senta e escreve 8 horas diárias, o Juarez nosso mano também tem disciplina prussiana (veja o sobrenome)... divaguei. Forte abraço