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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Porque nos perdemos?

Passei o final de semana dividido entre mandriar, me inteirando das notícias, estudando processo que condenou Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, à forca e esquartejamento e também a biografia do último presidente da república velha, Washington Luís Pereira de Souza.
Engraçado é o os oito juízes que assinaram a sentença de Tiradentes colocaram apenas um nome. Foi preciso pesquisa para identificar corretamente os magistrados. Lá descobri que Tiradentes planejava uma bandeira para a república mineira com três triângulos, mas foi voto vencido e colocaram apenas um, como hoje ostenta o pendão mineiro. Dentro de algumas semanas colocarei aqui um texto sobre a sentença.
Washington Luís, carioca, nasceu em família muito pobre. Estudou, formou-se em direito e foi trabalhar no interior paulista e neste estado construiu a carreira que o faz um dos maiores estadistas do país e um dos mais esquecidos.
Só para aguçar os que gostam de estudar. Como Secretário de Justiça criou a carreira de policial civil aprovado em concurso e com curso superior. Criou a força pública, hoje Polícia Militar, de São Paulo, o primeiro presídio e decretou que as prisões só poderiam ocorrer com motivo concreto e que se prendessem tinham de processar. Queria acabar com as detenções arbitrarias e os casos de prisões sem julgamento.
Prefeito de São Paulo, (1915/19) enfrentou os quatro grandes G's no mandato. A Guerra, as Greves, a Gripe Espanhola e as Geadas. As grevistas dominaram São Paulo por mais de um mês sob o comando de anarquistas e socialistas. Espalharam-se pelo país. Foram reprimidas com centenas de mortos. Mais um caso pouco divulgado. Grevistas queriam aposentadorias, jornada de oito horas, proibição do trabalho infantil e do trabalho noturno para mulheres. Fez 200 quilômetros de estradas na capital.
Amigo de Monteiro Lobato, quando assumiu o governo de São Paulo, ele solicitou ao escritor um livro para as aulas de leitura nas escolas estaduais. O taubateano criou a Menina de Narizinho Arrebitado, dando início a uma vasta e única obra de literatura infantil no Brasil.
Afonso Pena tinha marcado sua administração com ações em favor do povoamento dos grandes espaços vazios do Brasil. Dizia que "Governar é povoar". Washington Luís foi adiante: "Governar é povoar, mas para povoar é preciso abrir estradas de rodagem. Assim Governar é abrir estradas". De tanto investir em infraestrutura foi apelidado pelos amigos de "O estradeiro" e pelos desafetos de "General Estrada de Bobagem"
O homem virou uma unanimidade nacional Assim, no dia 1 de março de 1926, Washington Luís obtém a maior votação até então para a presidência da república: 688.528 votos contra míseros 1.116 votos dados ao seu opositor, o general Joaquim Francisco de Assis Brasil. Assume em novembro. No seu governo a Coluna Prestes desaparece nos sertões da Bolívia, enfrenta a crise do café e a quebra da bolsa de Nova Iorque em 29. Mesmo assim o País atravessa período de calmaria e crescimento. Chegam 1930 e as eleições para a escolha de seu sucessor resultaram no golpe que deu a Getúlio Vargas os 15 anos de poder. Não fosse isso o Brasil hoje seria outro. Melhor? Pior? Acredito que melhor.

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