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quarta-feira, 20 de abril de 2011

Caramuru, o fundador do Brasil

Em 1663 foi publicada em Lisboa a "Chronica da Companhia de Jesus do
Estado do Brasil", do padre jesuíta Simão de Vasconcellos, o primeiro livro a
estender-se sobre a "breve história notável do celebrado Diogo Álvares".Em
quatro páginas, inseridas na história do primeiro donatário da Bahia, Francisco , Pereira Coutinho, o jesuíta diz em resumo o seguinte: Diogo Alvares (não grafa
o sobrenome "Correia") nasceu em Viana, de "gente nobre"; embarcou após 1530, para o Brasil ou para a India, sofrendo naufrágio no litoral da Bahia; feito cativo
com outros que escaparam ao mar e à antropofagia, dedicou-se com constância
a retirar os despojos do navio (entre os quais pólvora e arcabuzes), e os índios
"contentaram-se dele e assentaram entre si que aquele ficasse com vida"; consertado
o arcabuz, disparou um tiro para cima, matando provavelmente uma fera
ou uma ave, o que ocasionou grande medo aos índios, "dizendo a vozes que era
um homem de fogo que queria matá-los"; lutou do lado daqueles índios contra
outros, ganhando, com seu arcabuz, fama "por todos os sertões, e foi tido por
homem portentoso [ .. . ] e aqui lhe acrescentaram o nome, chamando-lhe o grande
Caramuru [ ... ]"; assentou casa em Vila Velha e "teve aqui grande família e muitas
mulheres [ ... ] houve muitos filhos e filhas, que pelo tempo foram cabeças de
nobres gerações"; embarcou para a França numa nau carregada de pau-brasil,
levando consigo "a mais querida das suas mulheres, dotada de formosura e
princesa daquela gente [ ... ] não sem grande inveja das que ficaram"; o casal foi
recebido pelos reis de França, a mulher foi batizada, recebendo "por nome , Catarina Alvares, sendo o do Brasil Paraguaçu", e ambos foram casados; os reis
franceses não consentiram que Diogo voltasse a Portugal, mas este conseguiu
enviar a dom João lU notícias sobre o Brasil e sobre a necessidade de povoar este
país; ele e Catarina retornaram à América com duas naus carregadas e com
artilharia, após se comprometerem a encher as naus francesas de pau-brasil, o
que fizeram; Diogo prosperou, tornando-se "senhor de muitos escravos"; ajudou
uma nau castelhana que naufragara, recebendo mais tarde uma carta de
agradecimento do imperador Carlos V; durante o episódio deste naufrágio,
Catarina pediu a Diogo "que tornasse a buscar-lhe uma mulher, que viera na nau,
e estava entre os índios, porque lhe aparecia em visão, e lhe dizia que a mandasse
vir para junto a si, e lhe fizesse uma casa"; após muitas tentativas, encontrou-se
"uma imagem de Nossa Senhora que um índio recolhera na praia e tinha lançado
ao canto de uma casa"; Catarina identificou esta imagem com a da visão; a
imagem recebeu uma casa e foi "honrada com o título de Nossa Senhora da Graça,
enriquecida de muitas relíquias e indulgências, que então mandou o Sumo
Pontífice", passando à guarda dos beneditinos; os filhos e filhas "destes dois
devotos da Senhora" foram batizados por religiosos, casando-se várias filhas com
fidalgos (constam seus nomes) e "deste tronco procederam muitas das melhores
e mais nobres famílias da Bahia"; "donde dizemos que Francisco Pereira
Coutinho [donatário da Bahia] foi o primeiro povoador por data d'EI-Rei, e , direito. Real; porém Diogo Alvares foi o primeiro por data dos senhores da terra naturaIS, o do direito das gentes" .

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