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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Assassinato da civilização e governos indolentes

Quinta-feira. Normalmente sou otimista até em demasia. Hoje me assoma pessimismo. Talvez seja porque estou tentando parar de fumar. Mas não é só isso. É o desencanto com coisas perto e longe. Estamos no século 21, avançamos imensamente em tecnologia, mas valores que nos trouxeram até aqui parecem sepultar-se com o fim da humanidade.
Um louco, assassino, terrorista, absolutamente bárbaro atacou os Estados Unidos em 11 de setembro de 2001. Às três mil pessoas que assassinou somam-se a outras centenas que tombaram vítimas de dezenas de atentados que perpetrou.
Aceitável e esperado que a América e mundo reagissem ao barbarismo. Iniciou-se a maior caçada humana da história. O mundo queria justiça. Salvo bolsões de ódio, fonte desse barbarismo, todo o planeta estava solidário com a dor e revolta americana. Na busca da satisfação da justa indignação fez-se guerras. Primeiro a invasão do Afeganistão. Império do mediavelismo dos talibãs e valhacouto de Osama Bin Laden e sua Al Qaeda. Ação justificada. A lamentar “só” a inevitável morte de inocentes.
Foi aí que começamos a perder. George Bush e seus falcões coonestados por relatórios fraudados dos serviços de informações invadiram o Iraque, mataram milhares, depuseram e mataram Sadam Russein. A morte de Sadam livrou a humanidade de um louco homicida e a lei foi preservada com seu longo julgamento. Embora haja quem diga que mesmo este processo estava contaminado pelos ódios entre os sunitas (grupo religioso do ditador) e xiitas (grupo que vivia na opressão e onde os americanos foram buscar líderes e juízes para o governo títere). Mas as aparências foram mantidas.
Só que um país que começa a entortar a lei para alcançar os desígnios de seu governante termina por simplesmente desrespeitá-la. Aproveitando-se de uma resolução da ONU para proteger civis na Líbia, os Estados Unidos, França e Itália, abrigados sob a eufemística OTAN, tentam de todas as formas depor e/ou assassinar Muamar Kadafi. A preferência é clara pelo homicídio. Kadafi vivo pode se dar à tagarelices constrangedoras para os países que agora o atacam.
No domingo à noite assistimos o presidente Obama anunciar ao mundo que um comando americano invadiu o Paquistão, um país, amigo. Localizou e matou Osama Bin Laden que teria resistindo. Só que diante de fatos não há argumentos. Osama não resistiu, foi capturado vivo e friamente executado a mando do presidente da maior democracia do mundo. Osama, se mil vidas tivesse, mil mil mortes mereceria. Foi morto apenas uma vez. De forma tão torpe quanto a morte de suas milhares de vítimas. Só que sua execução fria foi a sua mais consagradora vitória. Com seu homicídio, assassinamos também nossa civilização. Deter e desenvolver tecnologias não nos torna civilizados. A civilização só existe pela observância de regras, respeito as leis. E quando o transgressor é o prêmio Nobel da Paz, fica difícil diferenciar seu crime daquele praticado pelo salteador de rua, do homicida do botequim.
No plano catarinense os fatos, embora incruentos, são igualmente pessimistas. Assistimos a um governo eleito pela jovialidade, convertido em indolente. As preocupações casuísticas da formação de um novo partido decretando o imobilismo da administração. Mesmo as ações do governador são erráticas e ausentes de parcimônia. Cumula Florianópolis com recursos orçamentários como se, em vez de lageano, fosse o mais bairrista dos manezinhos. Cede o prédio de uma escola para a ampliação da Assembléia Legislativa que deveria era ser reduzida pela pouca contribuição que proporciona ao desenvolvimento catarinense. Ao promover oficiais na PM permite que a ação seja contaminada por politicagem mesquinha que pretere a competência em favor de compadrio.
Joinville, a maior e mais pujante cidade catarinense, se vê discriminada na partilha do orçamento do Estado. Não sei se por respeito, covardia ou indolência igual a que assola o governo, não nos metemos em ônibus para despejar nosso inconformismo na escadarias do palácio. Aqui no município a paralisia vem de mais longe e, diante da ameaça de greve do funcionalismo, só tende a aumentar. Sinto-me péssimo. Domingo é batizado do meu neto Gabriel. Por ele, por minha gente, por meus amigos, não posso me calar. Talvez segunda-feira eu esteja melhor.

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